Chegada da criança

 

A chegada da criança exige mudanças de rotina para todos, mas sobretudo para ela, que tem de se habituar a uma família desconhecida, a uma casa nova, com outros cheiros, rotinas, regras e muitas vezes a uma nova escola. Não é fácil as crianças deixarem as suas casas e é normal que se lembrem com saudades do seu bairro, pais e escola. Podem não querer sentir-se bem ou rejeitar a família de acolhimento por medo de ali ficarem para sempre ou sentirem lealdades divididas entre esta família que trata bem a criança e os seus pais biológicos. É normal que haja explosões, birras, ou que a criança pareça triste e apática. Cabe à família de acolhimento ter paciência, ser encorajadora sem ser invasiva, deixando a criança fazer o luto.

 

Regras

Ajuda muito se os cuidadores explicarem algumas regras simples às crianças quando estas chegam. Lembrem-se de que não há nada pior do que a incerteza.

• Explicar o que pode a criança fazer se acordar a meio da noite (como pedir ajuda e onde ir)

• Descrever como vai ser o dia seguinte por palavras simples (acordar, tomar o pequeno-almoço, etc.). Ou deixar um calendário (que pode ser visual, se a criança ainda não souber ler) no quarto que a criança pode consultar se precisar;

• Deixar comida à mão (um pacote de leite, uma barra de cereais, uma sanduíche para se a criança acordar a meio da noite com fome) para que a criança saiba que não vai passar fome em casa;

• Pode-se deixar o pequeno-almoço do dia seguinte preparado para que ela saiba que tencionam dar-lhe comida;

• Não seja invasivo ou converse muito, procure dar tempo à criança para se habituar a si;

• Lave os dentes com a criança para que ela aprenda a fazê-lo;

• Crie uma rotina consistente, mas não insista muito em regras, nem seja disciplinador nos primeiros dias;

• Lembre-se de que sua missão mais importante é a de convencer a criança de que está num lugar seguro;

• Saiba que muitas crianças sentem vergonha e culpa pelo que lhes aconteceu, seja gentil.